Domingo, 5 de setembro de 2010.
 
 
 
 
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24/11/2009
Alto Uruguai sediará projeto piloto financiado pelo BID e Fundo Japonês.

 

Workshop realizado na terça-feira reuniu lideranças e entidades da região para apresentação do Plano da Região Brasileira do Rio Uruguai, cujo diagnóstico aponta a agricultura como o grão gestor do meio ambiente e grande potencial para a fruticultura de clima temperado                 Representantes da Secretaria Extraordinária da Irrigação e Usos Múltiplos da Água do Governo do Estado realizaram na terça-feira (24), em Erechim, workshop para apresentar à comunidade e ouvir sugestões sobre a proposta do Plano de Desenvolvimento Sustentável da RBRU – Região Brasileira do Rio Uruguai. O documento foi elaborado pelo consórcio Oriconsul-Ecoplan-Skill, grupo de consultorias contratado para fazer o diagnóstico da área e propor ações estratégicas para seu desenvolvimento sustentável. O plano é coordenado pelos governos dos estados do RS e SC e terá financiamento do BID – Banco Interamericano de Desenvolvimento e de um Fundo Japonês.                 As reuniões fazem parte de um amplo processo de discussão e ajuste que está sendo iniciado nas instâncias federais, setoriais e com as organizações locais. Já foram concluídos os levantamentos de dados, avaliações de vulnerabilidades e riscos ambientais que compõem o diagnóstico da Bacia e um Atlas.
                O Plano Diretor teve sua elaboração iniciada em fevereiro, com workshop com os especialistas e consultores. Depois foram identificadas, definidas e hierarquizadas variáveis de sustentabilidade na RBRU, iniciados os estudos para proposição de metas ambientais, ações de governança e arranjos produtivos locais. A região, que compreende Rio Grande do Sul e Santa Catarina, abrange 320 municípios e representa 2% do território nacional.
                Conforme o consultor internacional, Patrick Maury, para as coisas acontecerem vai depender da mobilização da região. Ele salientou que o foco da proposta é integração e a estratégia visa mobilizar as pessoas para uma nova etapa de crescimento. Ao comentar que a região corre risco de ir para o subdesenvolvimento, destacou como atrativos o setor metal-mecânico, a ferrovia, a comunicação fácil e o dinamismo da comunidade.                 Segundo Patrick, o Atlas é o diagnóstico que significa a visão do que é preciso fazer para chegar ao desenvolvimento sustentável, que é um processo. Ele também destacou as águas como a maior riqueza da bacia, que é uma das maiores com potencial hidrelétrico do mundo.                Ao afirmar que o grão é o gestor do meio ambiente, o consultor defendeu bom senso nas questões referentes à proposta, que prevê corredores ecológicos. “A Bacia não vai bem, o índice é inferior ao da média dos outros estados, mas a logística deve auxiliar na reconquista da competitividade”, observou.                Também relatou que o PIB revela que esta é a parte gaúcha mais pobre. “Está ruim, mas tem potencial para crescer”, afirmou, assinalando novamente o setor metal-mecânico como variável importante nesse processo.                Patrick comentou, também, sobre a poluição, definindo-a como um dos principais problemas da competitividade e revelou que é grande o potencial da região em fruticultura de clima temperado. “Há soluções a médio prazo e não tão caras”, pontuou.                Entre os pontos fortes da região estão integração e cooperação, vantagem climática para frutas e potencial hidrelétrico. Como pontos fracos foram apresentados poluições, logística de transporte e crises cíclicas nos APL – Arranjos Produtivos Locais. Como oportunidades foram apresentadas a metal-mecânica para irrigação, saneamento e energia; doutrina água x bens públicos e universidade & pesquisa. Já os riscos que podem levar à região ao subdesenvolvimento são governança desmobilizada, dissensos bilaterais e acesso precário aos serviços públicos.                  O consultor ressaltou que a fruticultura de clima temperado é o potencial a ser buscado na região, que pode fazer elo com o centro da economia, também, via aeroporto funcional. Patrick elogiou o capital intelectual, acadêmico e científico que a região tem e reafirmou que a ferrovia também é estratégia para a região se desenvolver.  Agência de Desenvolvimento                A atuação da Agência de Desenvolvimento, que mobilizou lideranças e entidades para o encontro regional, foi elogiada pelo secretário adjunto da Secretaria Extraordinária da Irrigação. Graças à integração que está sendo promovida e ao diagnóstico regional que deu origem ao livro sobre o Planejamento Estratégico do Alto Uruguai Gaúcho, que está alinhado com o Plano da RBRU, a região foi escolhida para sediar um dos projetos pilotos da iniciativa, que ainda não tem detalhes divulgados. “O Planejamento Regional aponta reconversão de atividades para que elas continuem, no futuro, sustentáveis”, lembrou o diretor Executivo da Agência, Adelino Collet. Ele também informou que o próximo será a realização de uma audiência com a governadora Yeda Crusius e a entrega da Carta Consulta ao BID e ao Fundo Japonês para liberação dos recursos que vão viabilizar o plano, que prevê investimentos nos primeiros cinco anos de R$ 947 milhões.  Foto 1Lideranças conheceram o plano de desenvolvimento sustentável da Região Brasileira do Rio Uruguai Foto Sara Rubia Comin/DM -------- fazer box ------Arranjo Produtivo Regional                Ele não é apenas uma soma de atividades, mas a identificação de reservas de crescimento localizadas na interação dos setores e suas respectivas potencialidades de evolução. Esta percepção leva à proposta matricial de processos e focos de atuação. Entre os focos de atuação estão: a alavancagem dos setores metal-mecânico e de bionergia que resultará da busca da redução progressiva dos impactos ambientais; o acesso aos mercados de alto valor agregado, que resultará do uso racional da água na agricultura e da certificação das boas práticas, usando referências internacionais de segurança alimentar e produção orgânica; e a melhoria das condições de vida pelo acesso, o desenvolvimento das atividades de serviços turísticos e ambientais e produção do conhecimento.  Notas[1] Suínos, aves e grãos integrados.[2] Carne bovina e ovina, leite.[3] Ver mapa de aptidão elaborado para uva, maçã, laranja e pêssego.[4] Frutas e orgânicos em regime de produção integrada (indústria ou distribuição) com rastreabilidade e certificação.[5] Áreas Especiais incluem: Áreas de Proteção Permanente (APP), Unidades de Conservação (ver SNUC), Terras Indígenas e Quilombola, Áreas de Gestão Ambiental (APAS e Reserva da Biosfera), Áreas de Segurança Nacional.  Foto Reprodução/DM